O motivo de eu não escrever aqui com muita frequência é bem simples, mas me causa uma certa culpa.
Escrever é e sempre foi a paixão maior da minha vida, bem ao lado da música e de outras pequenas alegrias guardadinhas no fundo da gaveta.
No outro blog que, como já contei por aqui, mantive por algum tempo e ao qual era bem mais devota, eu escrevia sempre, quase todos os dias, textos que brotavam da imaginação, do coração, de uma cabeça fervilhante de vontade de viver as coisas todas da vida.
E é aí que mora o presente.
A escritora de hoje viveu tantas coisas... Viveu o que quis, o que não quis, talvez mais até do que devia uma moça jovem. Seus sonhos viram a realidade, ora se apaixonaram, ora se decepcionaram, mas houve sempre muito sangue correndo nas veias e bombeando fortemente o coração pra que ele aguentasse tantas emoções.
Depois de tudo, chego aqui cheia de paixão ainda, mas uma paixão um pouco diferente. Não mais arroubos adolescentes, agora há os sorrisos largos, os abraços, as cordas do violão embalando meus dias. Há a gata deitada no colo pedindo carinho com seu ronronar elegante, a música (que nunca me abandona e nunca é abandonada) sempre, sempre por perto, o amor sereno de um casamento de almas.
Hoje, o tempo é de colher alguns frutos que foram plantados ontem e plantar tantos outros pra amanhã. Sinto-me tão serena e preparada pro que há de vir, e esta é a minha escrita. Não tenho palavras na ponta da pena porque o destino escreve em mim suas palavras. O tempo transformou caneta em papel, e eu virei uma folha - jamais em branco, jamais - onde a vida imprime sua vontade, bem à vontade.
Estou plena. Sinto o ar entrar e sair tranquilamente pelas vias respiratórias, sem engasgos ou afobações.
Sou feliz.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Matéria-prima
Porque eu não sei o que dizer hoje, vim cá falar qualquer coisa, falar da vida, da música que brota de mim num perfume forte, impetuoso e imperativo, falar do amor que me surpreende a cada dia, não ele mas eu mesma, que antes não sabia saber amar, e agora sinto que estou pelo menos aprendendo, das palavras que não me deixam dormir à noite, com medo, com tesão, com vontade de escrever, mas aí eu chego na pauta e não sai nada - as palavras estão aprisionadas dentro de mim.
Música, amor e palavras. Disso eu sou feita e disso é feito este pequeno texto sem rascunho nem correção.
Música, amor e palavras. Disso eu sou feita e disso é feito este pequeno texto sem rascunho nem correção.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Raquel
De tudo o que nos choca na vida, talvez o que choque mais seja justamente a morte.
Choca porque foi gente nova ou velha, porque tinha câncer ou porque sofreu um acidente de carro estúpido. A morte de alguém próximo nos choca pela dor, pela saudade, pelo susto, mas nos choca principalmente porque nos lembra da nossa própria mortalidade. E isso, pra quem no fundo se julga imortal, como nós, é um tiro no meio da injusta eternidade nossa de cada dia.
Hoje o céu ganhou uma estrela. Uma jovem estrela muito brilhante de quem, na verdade, eu não era muito íntima, mas pra quem cantava sempre e de cujos olhos sentia o brilho mesmo de longe, mesmo de perto, mesmo agora.
♪ Ê, a lua girou, fez um compasso no céu de Areal, Raquel. ♪
segunda-feira, 24 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Partitura
E a família? Quanto apoio!
Mas minha filha, cantora? Vai fazer uma faculdade!
Fiz.
Mas minha filha, cantora? Isso não dá futuro, tem certeza?
Tenho.
Até hoje, desconfio que eles não aceitam. Engolem, não tem mais jeito. Mas quem sabe um dia ela muda de ideia...
A música me escolheu ou eu a ela? O palco me seduz ou eu a ele? O público precisa de mim ou eu (tanto, tanto) dele? O que eu faço com tanta paixão?
Não sei, não sei, sei menos ainda. Mas eu amo - e continuo lutando.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Mil vazios
Eu hoje queria um colo que não me perguntasse porque e me deixasse chorar até dormir. Queria esquecer o passado, o sofrimento, o futuro e até o presente. Queria conseguir não pensar em nada.
Estranho é o fato de que eu abandonei todo mundo que me amou a vida toda, indo embora, fazendo muitas malas, fugindo das raízes que (que grande ironia!) acabaram por se fixar no meu coração, e hoje tudo o que eu mais quero é não ser abandonada. O que eu quero é ter quem fique ao meu lado, pois o medo de que ninguém queira - de que ninguém consiga - me aterroriza.
Mesmo hoje, com tudo isso bagunçado, eu sinto muito. Ah, eu sinto tanto tê-los deixado e hoje me sentir tão só.
Eu passei a vida tentando ser sozinha, mas hoje isso é tudo o que eu não quero. Por favor, não me deixe, não me deixem, eu não sei mais onde guardar tanta dor.
(Texto absolutamente fora de foco, fora de rumo, sem sentido como os meus pensamentos. Segura na minha mão e diz que vai passar?)
Estranho é o fato de que eu abandonei todo mundo que me amou a vida toda, indo embora, fazendo muitas malas, fugindo das raízes que (que grande ironia!) acabaram por se fixar no meu coração, e hoje tudo o que eu mais quero é não ser abandonada. O que eu quero é ter quem fique ao meu lado, pois o medo de que ninguém queira - de que ninguém consiga - me aterroriza.
Mesmo hoje, com tudo isso bagunçado, eu sinto muito. Ah, eu sinto tanto tê-los deixado e hoje me sentir tão só.
Eu passei a vida tentando ser sozinha, mas hoje isso é tudo o que eu não quero. Por favor, não me deixe, não me deixem, eu não sei mais onde guardar tanta dor.
(Texto absolutamente fora de foco, fora de rumo, sem sentido como os meus pensamentos. Segura na minha mão e diz que vai passar?)
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Hoje
Pensando bem, o bom da vida é lutar - muito mais do que vencer ou, claro, perder. Os desafios, inclusive os aparentemente intransponiveis, nos instigam a sermos melhores sempre pra que nunca haja barreira ou obstáculo que nos bloqueie os objetivos.
Sem querer bancar de auto-ajuda (o que detesto, detesto), com essa nossa mania de enxergar somente os fins, não damos a devida atenção ao mérito que trazem os meios. As superações, as vitórias, todos os fios com os quais tecemos a trama da vida. Isso sim é importante, importantíssimo.
Hoje estou tão otimista. Mesmo com os contras, é preciso trabalhar os prós pra que bons resultados aconteçam.
Naturalmente.
Sem querer bancar de auto-ajuda (o que detesto, detesto), com essa nossa mania de enxergar somente os fins, não damos a devida atenção ao mérito que trazem os meios. As superações, as vitórias, todos os fios com os quais tecemos a trama da vida. Isso sim é importante, importantíssimo.
Hoje estou tão otimista. Mesmo com os contras, é preciso trabalhar os prós pra que bons resultados aconteçam.
Naturalmente.
terça-feira, 11 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Engolindo elefantes
Engolir alguém é se sobrepor a uma pessoa de tal maneira que anulam-se os seus desejos, os anseios, os defeitos e as qualidades.
Engolir alguém é não ver, é recusar, é ignorar tudo o que vem dali porque nós somos mais importantes, mais sábios, mais inteligentes e temos razão sempre.
Engolir alguém é fazer com que a pessoa desapareça na convivência. É sequestrar a individualidade do outro. É fazer-se mais do que quem é igual a você.
*
A imagem que ilustra este post, pra mim, vale mais que todas as palavras. Especialmente hoje. Engolir alguém é dar sumiço a um elefante enorme. E, segundo minhas próprias conclusões, eu sou a jiboia.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Co-viver
Às vezes me dá enjôo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta. E é só.
(Clarice Lispector)
Às vezes eu penso que não fui feita pra conviver. É difícil, doloroso e cheio de mistérios que ninguém nunca soluciona - é viver com, é co-viver.
O segredo, quem sabe, estará em abrir mão de tudo o tempo todo, ao contrário de ser rígido e não ceder. Procurando o equilíbrio, às vezes mete-se os pés pelas mãos (eu sou mestra nisso). Um cede aqui, o outro cede de lá, e pronto, fez-se a luz.
Então por que não é tão fácil?
terça-feira, 27 de abril de 2010
Back to black
Eu não sabia bem por onde começar. Não sabia se queria recomeçar, afinal de contas, como toda coisa boa, vicia. Escrever faz falta como respirar, e no fundo eu não via a hora de retomar esse vício.
Meus anos de análise levaram minha inspiração embora. Inspiração que jorrava, que brotava, que vinha a mim sempre e infindável. Mas findou. No lugar daquela, uma outra inspiração apareceu - pra mim, uma estranha com quem precisei me acostumar, que vinha eventualmente e sem avisar. Precisava escrever aquela hora, ou não precisaria mais. Dela surgiram letras, poemas, palavras tão minhas como nunca haviam sido. Veio meu diário pessoal, primeiro um livro de capa parda com uma borboleta, depois o de agora, com capa forrada de tecido roxo e muitas páginas em branco onde eu quase nunca escrevo, mas quando escrevo pode-se sentir pelas palavras uma lágrima, ou um sorriso.
Meu antigo blog, o finado Krisky Fala Sério, durou muito, deixou saudades e muitos amigos (alguns eternos até hoje, outros que de alguma forma o foram, mas não são mais). Tentei inúmeras vezes recuperá-lo - não para voltar a postar, mas para ter de volta tantos textos que escrevi só lá e perdi para o cyberuniverso (existe isso?). Textos tão infinitamente meus, tão particulares e tão de todos os que me liam.
Até hoje não consegui reaver minhas palavras - culpa da análise e do fim do blog.
Como será agora?
Meus anos de análise levaram minha inspiração embora. Inspiração que jorrava, que brotava, que vinha a mim sempre e infindável. Mas findou. No lugar daquela, uma outra inspiração apareceu - pra mim, uma estranha com quem precisei me acostumar, que vinha eventualmente e sem avisar. Precisava escrever aquela hora, ou não precisaria mais. Dela surgiram letras, poemas, palavras tão minhas como nunca haviam sido. Veio meu diário pessoal, primeiro um livro de capa parda com uma borboleta, depois o de agora, com capa forrada de tecido roxo e muitas páginas em branco onde eu quase nunca escrevo, mas quando escrevo pode-se sentir pelas palavras uma lágrima, ou um sorriso.
Meu antigo blog, o finado Krisky Fala Sério, durou muito, deixou saudades e muitos amigos (alguns eternos até hoje, outros que de alguma forma o foram, mas não são mais). Tentei inúmeras vezes recuperá-lo - não para voltar a postar, mas para ter de volta tantos textos que escrevi só lá e perdi para o cyberuniverso (existe isso?). Textos tão infinitamente meus, tão particulares e tão de todos os que me liam.
Até hoje não consegui reaver minhas palavras - culpa da análise e do fim do blog.
Como será agora?





