sexta-feira, 30 de abril de 2010
Engolindo elefantes
Engolir alguém é se sobrepor a uma pessoa de tal maneira que anulam-se os seus desejos, os anseios, os defeitos e as qualidades.
Engolir alguém é não ver, é recusar, é ignorar tudo o que vem dali porque nós somos mais importantes, mais sábios, mais inteligentes e temos razão sempre.
Engolir alguém é fazer com que a pessoa desapareça na convivência. É sequestrar a individualidade do outro. É fazer-se mais do que quem é igual a você.
*
A imagem que ilustra este post, pra mim, vale mais que todas as palavras. Especialmente hoje. Engolir alguém é dar sumiço a um elefante enorme. E, segundo minhas próprias conclusões, eu sou a jiboia.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Co-viver
Às vezes me dá enjôo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta. E é só.
(Clarice Lispector)
Às vezes eu penso que não fui feita pra conviver. É difícil, doloroso e cheio de mistérios que ninguém nunca soluciona - é viver com, é co-viver.
O segredo, quem sabe, estará em abrir mão de tudo o tempo todo, ao contrário de ser rígido e não ceder. Procurando o equilíbrio, às vezes mete-se os pés pelas mãos (eu sou mestra nisso). Um cede aqui, o outro cede de lá, e pronto, fez-se a luz.
Então por que não é tão fácil?
terça-feira, 27 de abril de 2010
Back to black
Eu não sabia bem por onde começar. Não sabia se queria recomeçar, afinal de contas, como toda coisa boa, vicia. Escrever faz falta como respirar, e no fundo eu não via a hora de retomar esse vício.
Meus anos de análise levaram minha inspiração embora. Inspiração que jorrava, que brotava, que vinha a mim sempre e infindável. Mas findou. No lugar daquela, uma outra inspiração apareceu - pra mim, uma estranha com quem precisei me acostumar, que vinha eventualmente e sem avisar. Precisava escrever aquela hora, ou não precisaria mais. Dela surgiram letras, poemas, palavras tão minhas como nunca haviam sido. Veio meu diário pessoal, primeiro um livro de capa parda com uma borboleta, depois o de agora, com capa forrada de tecido roxo e muitas páginas em branco onde eu quase nunca escrevo, mas quando escrevo pode-se sentir pelas palavras uma lágrima, ou um sorriso.
Meu antigo blog, o finado Krisky Fala Sério, durou muito, deixou saudades e muitos amigos (alguns eternos até hoje, outros que de alguma forma o foram, mas não são mais). Tentei inúmeras vezes recuperá-lo - não para voltar a postar, mas para ter de volta tantos textos que escrevi só lá e perdi para o cyberuniverso (existe isso?). Textos tão infinitamente meus, tão particulares e tão de todos os que me liam.
Até hoje não consegui reaver minhas palavras - culpa da análise e do fim do blog.
Como será agora?
Meus anos de análise levaram minha inspiração embora. Inspiração que jorrava, que brotava, que vinha a mim sempre e infindável. Mas findou. No lugar daquela, uma outra inspiração apareceu - pra mim, uma estranha com quem precisei me acostumar, que vinha eventualmente e sem avisar. Precisava escrever aquela hora, ou não precisaria mais. Dela surgiram letras, poemas, palavras tão minhas como nunca haviam sido. Veio meu diário pessoal, primeiro um livro de capa parda com uma borboleta, depois o de agora, com capa forrada de tecido roxo e muitas páginas em branco onde eu quase nunca escrevo, mas quando escrevo pode-se sentir pelas palavras uma lágrima, ou um sorriso.
Meu antigo blog, o finado Krisky Fala Sério, durou muito, deixou saudades e muitos amigos (alguns eternos até hoje, outros que de alguma forma o foram, mas não são mais). Tentei inúmeras vezes recuperá-lo - não para voltar a postar, mas para ter de volta tantos textos que escrevi só lá e perdi para o cyberuniverso (existe isso?). Textos tão infinitamente meus, tão particulares e tão de todos os que me liam.
Até hoje não consegui reaver minhas palavras - culpa da análise e do fim do blog.
Como será agora?


