quarta-feira, 19 de outubro de 2011

De volta

"Oh, let the sun beat down upon my face
Stars to fill my dream
I am a traveler of both time and space
To be where I have been"
Palavras: Led Zeppelin
Imagem: Mariana Rocha

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Causas e consequências

O motivo de eu não escrever aqui com muita frequência é bem simples, mas me causa uma certa culpa.
Escrever é e sempre foi a paixão maior da minha vida, bem ao lado da música e de outras pequenas alegrias guardadinhas no fundo da gaveta.
No outro blog que, como já contei por aqui, mantive por algum tempo e ao qual era bem mais devota, eu escrevia sempre, quase todos os dias, textos que brotavam da imaginação, do coração, de uma cabeça fervilhante de vontade de viver as coisas todas da vida.

E é aí que mora o presente.

A escritora de hoje viveu tantas coisas... Viveu o que quis, o que não quis, talvez mais até do que devia uma moça jovem. Seus sonhos viram a realidade, ora se apaixonaram, ora se decepcionaram, mas houve sempre muito sangue correndo nas veias e bombeando fortemente o coração pra que ele aguentasse tantas emoções.
Depois de tudo, chego aqui cheia de paixão ainda, mas uma paixão um pouco diferente. Não mais arroubos adolescentes, agora há os sorrisos largos, os abraços, as cordas do violão embalando meus dias. Há a gata deitada no colo pedindo carinho com seu ronronar elegante, a música (que nunca me abandona e nunca é abandonada) sempre, sempre por perto, o amor sereno de um casamento de almas.

Hoje, o tempo é de colher alguns frutos que foram plantados ontem e plantar tantos outros pra amanhã. Sinto-me tão serena e preparada pro que há de vir, e esta é a minha escrita. Não tenho palavras na ponta da pena porque o destino escreve em mim suas palavras. O tempo transformou caneta em papel, e eu virei uma folha - jamais em branco, jamais - onde a vida imprime sua vontade, bem à vontade.

Estou plena. Sinto o ar entrar e sair tranquilamente pelas vias respiratórias, sem engasgos ou afobações.

Sou feliz.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Matéria-prima

Porque eu não sei o que dizer hoje, vim cá falar qualquer coisa, falar da vida, da música que brota de mim num perfume forte, impetuoso e imperativo, falar do amor que me surpreende a cada dia, não ele mas eu mesma, que antes não sabia saber amar, e agora sinto que estou pelo menos aprendendo, das palavras que não me deixam dormir à noite, com medo, com tesão, com vontade de escrever, mas aí eu chego na pauta e não sai nada - as palavras estão aprisionadas dentro de mim.

Música, amor e palavras. Disso eu sou feita e disso é feito este pequeno texto sem rascunho nem correção.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Raquel


De tudo o que nos choca na vida, talvez o que choque mais seja justamente a morte.
Choca porque foi gente nova ou velha, porque tinha câncer ou porque sofreu um acidente de carro estúpido. A morte de alguém próximo nos choca pela dor, pela saudade, pelo susto, mas nos choca principalmente porque nos lembra da nossa própria mortalidade. E isso, pra quem no fundo se julga imortal, como nós, é um tiro no meio da injusta eternidade nossa de cada dia.

Hoje o céu ganhou uma estrela. Uma jovem estrela muito brilhante de quem, na verdade, eu não era muito íntima, mas pra quem cantava sempre e de cujos olhos sentia o brilho mesmo de longe, mesmo de perto, mesmo agora.


♪ Ê, a lua girou, fez um compasso no céu de Areal, Raquel. ♪

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Encantamiento


 

Daqui.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Partitura

Quando eu crescer, dizia quando pequena, quero ser médica de manhã, marinheira de tarde e bailarina à noite. Daí eu cresci, descobri que o que eu queria não era nem ser médica, nem marinheira, nem bailarina - o palco me seduziu irremediavelmente. Mas tem jeito de ser artista no nosso convívio, no nosso país, na nossa cultura? Como faz pra se sustentar, comer, pagar aluguel?

E a família? Quanto apoio!

Mas minha filha, cantora? Vai fazer uma faculdade!

Fiz.

Mas minha filha, cantora? Isso não dá futuro, tem certeza?

Tenho.

Até hoje, desconfio que eles não aceitam. Engolem, não tem mais jeito. Mas quem sabe um dia ela muda de ideia...

A música me escolheu ou eu a ela? O palco me seduz ou eu a ele? O público precisa de mim ou eu (tanto, tanto) dele? O que eu faço com tanta paixão?

Não sei, não sei, sei menos ainda. Mas eu amo - e continuo lutando.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Mil vazios

Eu hoje queria um colo que não me perguntasse porque e me deixasse chorar até dormir. Queria esquecer o passado, o sofrimento, o futuro e até o presente. Queria conseguir não pensar em nada.

Estranho é o fato de que eu abandonei todo mundo que me amou a vida toda, indo embora, fazendo muitas malas, fugindo das raízes que (que grande ironia!) acabaram por se fixar no meu coração, e hoje tudo o que eu mais quero é não ser abandonada. O que eu quero é ter quem fique ao meu lado, pois o medo de que ninguém queira - de que ninguém consiga - me aterroriza.

Mesmo hoje, com tudo isso bagunçado, eu sinto muito. Ah, eu sinto tanto tê-los deixado e hoje me sentir tão só.

Eu passei a vida tentando ser sozinha, mas hoje isso é tudo o que eu não quero. Por favor, não me deixe, não me deixem, eu não sei mais onde guardar tanta dor.


(Texto absolutamente fora de foco, fora de rumo, sem sentido como os meus pensamentos. Segura na minha mão e diz que vai passar?)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Hoje

Pensando bem, o bom da vida é lutar - muito mais do que vencer ou, claro, perder. Os desafios, inclusive os aparentemente intransponiveis, nos instigam a sermos melhores sempre pra que nunca haja barreira ou obstáculo que nos bloqueie os objetivos.

Sem querer bancar de auto-ajuda (o que detesto, detesto), com essa nossa mania de enxergar somente os fins, não damos a devida atenção ao mérito que trazem os meios. As superações, as vitórias, todos os fios com os quais tecemos a trama da vida. Isso sim é importante, importantíssimo.

Hoje estou tão otimista. Mesmo com os contras, é preciso trabalhar os prós pra que bons resultados aconteçam.

Naturalmente.

terça-feira, 11 de maio de 2010


Pensar o que diante da sutil impotência cotidiana?

Responder com que gestos palavras que nunca são ditas?

Viver como, se a vida já lhe parece pouco?

Fazer o que quando, mesmo tendo tudo, tudo não basta?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Engolindo elefantes


Engolir alguém é se sobrepor a uma pessoa de tal maneira que anulam-se os seus desejos, os anseios, os defeitos e as qualidades.

Engolir alguém é não ver, é recusar, é ignorar tudo o que vem dali porque nós somos mais importantes, mais sábios, mais inteligentes e temos razão sempre.

Engolir alguém é fazer com que a pessoa desapareça na convivência. É sequestrar a individualidade do outro. É fazer-se mais do que quem é igual a você.


*

A imagem que ilustra este post, pra mim, vale mais que todas as palavras. Especialmente hoje. Engolir alguém é dar sumiço a um elefante enorme. E, segundo minhas próprias conclusões, eu sou a jiboia.
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